Flor do deserto
Waris Dirie nasceu numa família de
criadores de gado, na Somália. Aos 13 anos, para fugir de um casamento
arranjado, ela atravessou o deserto até chegar a Mogadishu, capital do país. A
sua avó enviou-a para Londres, onde trabalhou como empregada na embaixada da
Somália. Passou toda a adolescência fechada em casa, mas um dia, acabada a
guerra na Somália, tem a oportunidade de regressar ao país. No entanto, ela não
quer e foge mas não tem para onde ir. Com a ajuda de Marylin, uma descontraída
vendedora, Waris consegue um abrigo e um trabalho num restaurante, onde é
descoberta pelo famoso fotógrafo Terry Donaldson. Através da ambiciosa Lucinda,
sua agente, Waris torna-se modelo. Só que, apesar da vida de sucesso, ela ainda
sofre com as lembranças de um segredo de infância: a mutilação genital que
sofreu aos três anos de idade. Contacta uma jornalista e decide contar a sua
história, com o objectivo de ajudar outras mulheres. Alia-se à ONU nesta causa
e é nomeada até embaixadora desta causa.
Este filme é realmente comovente, e
faz-nos pensar como é possível a própria mãe mutilar a sangue frio uma criança,
apenas com o intuito de cumprir a tradição. Mais comovente é, se pensarmos que
em pleno século XXI, depois de tanto defendermos os direitos humanos, algumas
tradições continuam a sobrepor-se a estes direitos, desrespeitando-os e
desrespeitando a pessoa humana. Ninguém pensa nas consequências físicas e psicológicas
e poucos fazem algo para impedir esse ato de crueldade. No entanto, com o aumento do número de
imigrantes em Portugal, esta atrocidade começou a ser praticada também cá,
porém, o nosso estado já prevê um artigo no código penal – artigo 144 – ofensa à
integridade física.
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